Como mencionado no parágrafo anterior, o empreendedorismo social baseia-se em técnicas e abordagens de negócios para resolver problemas sociais, culturais e ambientais, como seja acabar com a pobreza, melhorar os padrões de vida, apoiar as populações vulneráveis, etc. No entanto, um dos principais objetivos é manter a sustentabilidade e a autossuficiência reinvestindo os lucros decorrentes de várias operações da empresa social para realizar suas missões.

A necessidade das empresas sociais de terem operações orientadas para a receita significa, a necessidade de gerar um modelo de operação comercial único, dentro da coexistência de princípios e regras de negócios, características e valores de mercado, como, por exemplo, competição, diversificação, abertura, inovação, combinado com a necessidade que a própria comunidade gera, proporcionando valor público. Algumas ilustrações sobre a estrutura do modelo de negócios de uma empresa social são dadas nas imagens abaixo.

Como está retratado nas imagens anteriores, os requisitos para um modelo de negócios bem-sucedido é propor uma estratégia operacional que contenha tanto a estrutura interna da organização como as parcerias externas, através das quais a empresa social será capaz de criar um determinado pré – impacto social. Além disso, um modelo de negócios bem-sucedido também deve conter uma estratégia de recursos completa, o que tem implicações na forma como a organização conseguirá adquirir formas específicas de capital financeiro e humano, cumprindo assim sua missão.

O que é um modelo de negócio e o que o torna bem-sucedido?

Em termos económicos, o modelo de negócios para uma empresa social é o modo através do qual as entradas são convertidas em resultados, a fim de criar valor social e económico. Existem vários tipos de modelos de empresas sociais que são propostos na bibliografia relevante, artigos e fontes on-line e que podem ser aplicados a diferentes instituições, sempre em consistência com vários fatores, como a capacidade financeira da empresa social, a missão social, a dinâmica do mercado, contexto legal, necessidades e procuras de clientes ou de outros grupos-alvo, etc. Por conseguinte, é dada abaixo uma tabela que fornece uma revisão de vários tipos de modelos.

(Fonte: https://www.marsdd.com/mars-library/social-enterprise-business-models/)

Um dos livros mais populares que classifica as empresas sociais, colocando-as sob três estruturas empresariais, é o livro de John Elkington e Pamela Hartigan intitulado ‘The Power of Unreasonable People’.

Elkington e Hartigan usam basicamente o idealismo de “sem fins lucrativos” em combinação com o uso de forças derivadas do setor comercial, que sustentam a visão de que as ideias que podem ser realizadas e reexecutadas em grande escala derivam de empresas sociais que têm permissão para obter lucros.

Para apoiar essa ideia, os autores fornecem o exemplo da expansão da linha de apoio telefónico indiano para incluir “Aflatoun”, uma organização responsável por fornecer educação às crianças relativamente aos seus direitos humanos e formas pelas quais elas podem lidar com dinheiro, um objetivo que está a ser alcançado com a formação de uma forte aliança com os bancos, garantindo assim a sustentabilidade financeira do modelo específico.

Consequentemente, a formulação de alianças fortes entre empresas sem fins lucrativos e empresas privadas poderia criar um caminho importante para a implementação bem-sucedida da missão de uma empresa social.

Outro exemplo que pertence à categoria específica é o banco Grameen, que foi administrado por Mohamed Yunis, que formou uma aliança com uma empresa fabricante de produtos alimentares chamada Danone, com o objetivo de fornecer iogurte de baixo custo nos chamados países terceiros. Além disso, os autores também fornecem o exemplo da Fundação Schwab para Empreendedorismo Social, que colaborou com a Fundação Lemelson para aplicar modelos empreendedores inovadores em todo o mundo, através do estabelecimento do “Fundo Leapfrog”.

As Estruturas de Negócios Sociais de Elkington e Hartigan

 Todos estes modelos empresariais são analisados dentro de três diferentes modelos de estrutura empresarial. Nesta fase, tentamos fornecer ao leitor uma breve descrição para cada um:

  1. Empreendimentos alavancados sem fins lucrativos: neste caso, os empreendedores sociais estabelecem uma organização sem fins lucrativos para aplicar um modelo inovador que seja considerado capaz de enfrentar uma falha no mercado anterior ou mesmo uma falha governamental. Este objetivo está a ser alcançado através do envolvimento de uma secção transversal da sociedade, composta tanto por organizações privadas como públicas, para acelerar a aplicabilidade deste modelo inovador, gerar assim um efeito multiplicador. Em termos de financiamento, na fase inicial, este tipo de estruturas empresariais depende de fontes filantrópicas externas, embora, se o parceiro desejar trabalhar constantemente nesse empreendimento, a sustentabilidade a longo prazo possa ser reforçada de várias maneiras;
  2. Empreendimentos sem fins lucrativos híbridos: neste caso, o empreendedor estabelece uma organização sem fins lucrativos, ao mesmo tempo em que o modelo contém uma extensão da recuperação de custos, mantida principalmente pela venda de bens e a prestação de serviços para uma secção transversal composta tanto por organizações privadas como públicas e muitos outros grupos-alvo pré-determinados. Frequentemente, o empreendedor estabelece ou apoia a criação de várias entidades legais para manter a acomodação dos ganhos obtidos pelos rendimentos, bem como as despesas de caridade, tentando detetar a estrutura empresarial ideal. Posteriormente, para poder apoiar todas as atividades de transformação para satisfazer as necessidades dos clientes, o empreendedor social deve detetar outras fontes de financiamento sob a forma de empréstimos ou subsídios, provenientes dos setores público e filantrópico;
  3. Empreendimentos sociais empresariais: neste último caso, os empreendedores sociais estabelecem uma instituição ou empresa com fins lucrativos com o objetivo de fornecer produtos e serviços relacionados com o interesse social ou ecológico. Devido ao estatuto de organização (com fins lucrativos), o objetivo final não é alcançar um máximo de ganhos financeiros que retornem aos acionistas, mas tornar o empreendimento social em si mesmo mais sustentável, chegando a muitos mais grupos sociais menos servidos. Simultaneamente, os lucros poderiam ser reinvestidos na expansão dos fundos. Consequentemente, os investidores neste caso devem ser indivíduos que estão dispostos a receber retornos financeiros e sociais de seus investimentos.

Referências

  • Elkington J. and Hartigan P., (The Power of Unreasonable People (2008), Harvard Business Press, Boston Massachusetts
  • Weerawardenaa J. and Sullivan Mortb G., (2006), Investigating social entrepreneurship: A multidimensional model, Journal of World Business, Volume 41, Issue 1 p. 21-35
  • Yunus M., Moingeon B., Laurence L., (2010) Building Social Business Models: Lessons from the Grameen Experience, Long Range Planning, Volume 43, Issues 2-3, April-June 2010, p. 308-325